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Como redigir objetivos gerais e específicos na investigação


Quando iniciamos um projeto de investigação, sobretudo no contexto de trabalhos académicos, há um momento que decide a clareza do caminho e a qualidade do destino. Esse momento é a definição dos objetivos gerais e específicos. Muitos estudantes adiam esta etapa por receio de se comprometerem com um rumo, mas é precisamente o contrário que acontece. Ao escrever objetivos bem delineados, ganha-se direção, reduz- se a ansiedade e evitam-se desvios metodológicos que custam tempo e energia. Neste texto vamos percorrer, de forma simples e prática, os passos que ajudam a transformar ideias dispersas em objetivos que orientam a investigação com precisão.


O objetivo geral é o farol do trabalho. Descreve o propósito central do estudo e indica, numa frase clara, o que se pretende alcançar no fim do percurso. Não é um resumo da metodologia nem uma lista de tarefas. É uma declaração de intenção que liga o problema de investigação à contribuição que se quer oferecer. Imagine que estuda a eficácia de um programa de tutoria para estudantes do primeiro ano. Um bom objetivo geral poderia ser assim redigido de forma direta e sem rodeios: “Avaliar o impacto de um programa de tutoria no desempenho académico de estudantes do primeiro ano de X.” A força desta formulação está na ação mensurável e no foco no resultado. Não promete mais do que pode cumprir, mas também não deixa dúvidas sobre o rumo.


A partir daqui entram os objetivos específicos, que desdobram o objetivo geral em etapas operacionais que conduzem da pergunta à resposta. Funcionam como pequenas metas que, somadas, compõem a peça inteira. Se o objetivo geral é o farol, os específicos são o mapa. No exemplo da tutoria, podemos querer comparar médias de avaliação entre grupos, analisar a evolução do desempenho ao longo de dois semestres e explorar a perceção dos estudantes quanto ao apoio recebido. Repare que cada objetivo específico aponta para uma ação concreta e observável, o que mais tarde facilitará a escolha dos métodos e a construção dos instrumentos.


Antes de escrever, convém recordar que objetivos não são as hipóteses, nem o enquadramento teórico, nem as perguntas de entrevista. Os objetivos conversam com tudo isso, mas desempenham outra função. Dizem o que se vai fazer e em que direção se avança, dando coerência à metodologia e às técnicas de análise. Por isso, usar verbos de ação é uma regra de ouro. Verbos como avaliar, comparar, descrever, identificar, analisar, explicar, correlacionar ou validar dão corpo a objetivos nítidos, afastando expressões vagas que dificultam a avaliação, como “entender melhor” ou “refletir sobre”.


Uma boa estratégia é aplicar mentalmente o teste da exequibilidade. Se ler o objetivo e conseguir imaginar a recolha de dados, as variáveis envolvidas e o método de análise, está no caminho certo. Se, pelo contrário, o objetivo parece literário e sem ligação operacional, é sinal de que precisa de revisão. Claridade e foco são os melhores aliados do investigador. Vale a pena perguntar a si próprio se outra pessoa, que não conhece o seu projeto, perceberia “o que vai ser feito” apenas pela leitura dos objetivos. Se a resposta for hesitante, então é altura de reescrever.


Trabalhos académicos universitários


Também ajuda pensar nos critérios de qualidade que sustentam objetivos robustos. Devem ser específicos, o que significa que evitam generalidades e apontam para fenómenos bem definidos. Precisam de ser mensuráveis, de modo a permitir avaliar se foram atingidos. Importa que sejam atingíveis, adequados aos recursos, tempo e competências disponíveis. É essencial que sejam relevantes para o problema que motiva o estudo, evitando objetivos paralelos que dispersam o esforço. Finalmente, devem ser temporizados, o que pode ficar implícito no desenho do estudo, mas que convém assumir no plano de trabalho, sobretudo em dissertações e teses com cronograma apertado.


A coerência entre objetivos e metodologia é outra peça decisiva. Se um objetivo específico é comparar dois grupos, então a metodologia deve prever um desenho comparativo e técnicas estatísticas que testem diferenças. Se o objetivo é explorar perceções, então métodos qualitativos como entrevistas ou grupos focais farão sentido. Nos trabalhos académicos, os avaliadores procuram precisamente esta harmonia entre o que se promete e o que se executa. Quando ela está presente, a leitura flui e as conclusões soam a consequência lógica do percurso.


Para evitar falhas frequentes, convém fugir a objetivos que misturam muitas ideias numa só frase, que utilizam jargão técnico sem necessidade ou que confundem o que é objetivo com o que é justificativa. Um objetivo não explica porquê, limita-se a dizer o quê e, indiretamente, aponta para o como. A justificativa é o lugar do porquê e o enquadramento teórico é o espaço onde se mostra o que já se sabe. Cada parte tem a sua função e o leitor agradece quando as fronteiras são respeitadas.


Vale a pena deixar dois exemplos completos que poderá adaptar. Para um estudo quantitativo em educação, um conjunto coerente seria assim. Objetivo geral: “Avaliar a relação entre hábitos de estudo e desempenho em unidades curriculares do primeiro ano.” Objetivos específicos: “Descrever os hábitos de estudo reportados pelos estudantes”, “Correlacionar número de horas de estudo semanal com a média final”, “Comparar o desempenho entre estudantes que frequentam sessões de apoio e os que não frequentam”. Para um estudo qualitativo em saúde, poderíamos ter. Objetivo geral: “Compreender as experiências de autocuidado em doentes crónicos acompanhados em cuidados de saúde primários.” Objetivos específicos: “Identificar estratégias de autocuidado relatadas pelos doentes”, “Explorar barreiras e facilitadores percebidos no cumprimento do plano terapêutico”, “Analisar o papel da família na gestão quotidiana da doença”.


Ao terminar a redação dos objetivos, leia-os em voz alta e confirme se se mantêm coerentes com o título, a pergunta de investigação e o método que escolheu. Se soarem claros, operacionais e alinhados com o problema, então o seu trabalho académico deu um passo decisivo rumo à qualidade. Objetivos bem escritos iluminam as decisões seguintes, simplificam a recolha e a análise de dados e tornam as conclusões mais sólidas. No fim, é esta clareza que distingue uma investigação que avança com segurança de uma que se perde em atalhos.


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